Hálux Valgo

O joanete, conhecido tecnicamente como Hálux Valgo, é uma das deformidades mais comuns que afetam os pés. Ele se caracteriza por uma protuberância óssea na base do dedão (hálux), acompanhada de um desvio desse dedo em direção aos outros. Embora muitas vezes seja visto apenas como um problema estético, o joanete é uma condição progressiva que pode causar dor significativa, inflamação e dificuldades para encontrar calçados confortáveis, impactando a mobilidade e a qualidade de vida do paciente.

As causas do joanete são multifatoriais, mas a genética desempenha um papel predominante. Pessoas que herdam um formato específico de pé ou uma estrutura mecânica defeituosa estão mais propensas a desenvolver a deformidade. O uso frequente de calçados inadequados, especialmente os de bico fino e salto alto, agrava a condição, pois força os dedos para uma posição antinatural e aumenta a pressão sobre a articulação. Outros fatores, como artrite reumatoide e pé chato, também podem contribuir para o surgimento do problema.

Os sintomas variam de pessoa para pessoa e dependem da gravidade do desvio. O sinal mais evidente é a saliência óssea na lateral do pé, que costuma ficar vermelha, inchada e dolorida devido ao atrito constante com o sapato. Além da dor na própria articulação, o paciente pode desenvolver calosidades na pele sobreposta ao joanete ou na planta do pé. Com a progressão, o dedão pode se sobrepor ou ficar por baixo do segundo dedo, gerando deformidades adicionais, como os “dedos em garra”.

O diagnóstico do Hálux Valgo é feito através de exame físico no consultório, onde o ortopedista avalia a flexibilidade do dedo e o grau de desvio. Radiografias (Raio-X) dos pés, realizadas com o paciente em pé (com carga), são fundamentais para determinar a angulação exata dos ossos e verificar se há sinais de artrose na articulação. Essas informações são cruciais para definir a melhor estratégia de tratamento para cada caso.

O tratamento inicial é quase sempre conservador e focado no alívio dos sintomas, já que não é possível reverter a deformidade sem cirurgia. A medida mais importante é a troca de calçados: deve-se optar por modelos com a parte da frente larga e macia, evitando saltos altos. O uso de protetores de silicone, espaçadores de dedos e palmilhas ortopédicas personalizadas pode ajudar a reduzir o atrito e redistribuir a pressão no pé, proporcionando maior conforto ao caminhar.

Além das mudanças nos calçados, o tratamento sintomático pode incluir o uso de gelo sobre a área inflamada após longos períodos em pé e medicamentos anti-inflamatórios prescritos pelo médico para crises de dor aguda. A fisioterapia também pode ser indicada para manter a mobilidade da articulação e fortalecer a musculatura intrínseca do pé, ajudando a controlar a dor e a melhorar a função durante a marcha.

Quando a dor persiste apesar de todas as medidas conservadoras e interfere nas atividades diárias, a cirurgia pode ser recomendada. Existem diversas técnicas cirúrgicas para corrigir o joanete, que variam desde procedimentos minimamente invasivos (percutâneos) até osteotomias (cortes no osso) para realinhar a estrutura óssea e os tecidos moles. O objetivo da cirurgia é aliviar a dor e restaurar a anatomia funcional do pé, permitindo que o paciente retome sua rotina sem desconforto.