A entorse de tornozelo é uma das lesões musculoesqueléticas mais frequentes nos consultórios de ortopedia e nas emergências médicas. Ela ocorre quando os ligamentos que sustentam a articulação são esticados ou rompidos devido a um movimento brusco e excessivo de torção, geralmente quando o pé “vira” para dentro (inversão). Embora seja muito associada à prática esportiva, como no futebol ou na corrida, a entorse pode acontecer em situações cotidianas, como caminhar em um terreno irregular ou descer um degrau de forma desatenta.
Os ligamentos são tecidos fibrosos e resistentes que conectam os ossos entre si, garantindo a estabilidade da articulação. Na entorse lateral, a mais comum, os ligamentos da parte externa do tornozelo são os mais afetados. A gravidade da lesão pode variar desde um estiramento leve (grau I), passando por uma ruptura parcial (grau II), até uma ruptura total dos ligamentos (grau III), o que determina a intensidade dos sintomas e o tempo de recuperação necessário.
Os sintomas imediatos de uma entorse incluem dor aguda na parte lateral do tornozelo e dificuldade ou impossibilidade de colocar peso sobre o pé afetado. Pouco tempo após o trauma, é comum o surgimento de inchaço (edema) significativo e, em muitos casos, o aparecimento de hematomas (equimoses), que indicam o sangramento dos tecidos lesionados. A região também pode ficar sensível ao toque e apresentar aumento de temperatura local.
O diagnóstico preciso é fundamental para excluir a possibilidade de fraturas, que podem ocorrer concomitantemente à torção. O ortopedista realizará um exame físico para avaliar a estabilidade da articulação e a localização da dor. Exames de imagem, como radiografias, são essenciais para descartar lesões ósseas. Em casos mais graves ou persistentes, a ressonância magnética pode ser solicitada para avaliar detalhadamente os danos aos ligamentos e à cartilagem.
O tratamento inicial segue o protocolo de proteção e controle inflamatório. Recomenda-se o repouso do membro, a aplicação de compressas de gelo para reduzir o inchaço e a dor, a compressão leve com bandagens e a elevação do pé acima do nível do coração. O uso de medicamentos anti-inflamatórios prescritos pelo médico ajuda a controlar a fase aguda. Dependendo do grau da lesão, pode ser necessário o uso de imobilizadores, botas ortopédicas ou muletas por um curto período.
A reabilitação fisioterápica é uma etapa crucial e deve ser iniciada assim que a dor permitir. O objetivo não é apenas recuperar os movimentos e a força muscular, mas principalmente treinar a propriocepção (o equilíbrio e a percepção do corpo no espaço). Ligamentos cicatrizados sem o devido treino de equilíbrio deixam o tornozelo instável e suscetível a novas entorses, criando um ciclo de instabilidade crônica que pode levar ao desgaste precoce da articulação.
A prevenção de novas entorses envolve o uso de calçados adequados ao tipo de pisada e à atividade realizada, além da manutenção do fortalecimento muscular da perna e do tornozelo. Prestar atenção ao caminhar em terrenos desnivelados e evitar o uso excessivo de saltos altos também são medidas prudentes. Se você sofreu uma torção, mesmo que pareça leve, procure avaliação médica para garantir que a cicatrização ocorra de forma correta e evitar sequelas futuras.