A condromalácia patelar, frequentemente chamada de “joelho de corredor”, é uma condição caracterizada pelo amolecimento e desgaste da cartilagem que reveste a parte posterior da patela (o osso da frente do joelho). Essa cartilagem tem a função de permitir o deslizamento suave da patela sobre o fêmur durante a flexão e extensão da perna. Quando essa estrutura é comprometida, o atrito entre os ossos aumenta, gerando inflamação e desconforto na região anterior da articulação.
Embora o nome sugira uma doença exclusiva de atletas, a condromalácia afeta uma ampla gama de pessoas, sendo muito comum em mulheres jovens e adultos sedentários que iniciam atividades físicas sem preparo. As causas são variadas e incluem o uso excessivo da articulação (overuse), traumas diretos no joelho, desequilíbrios musculares (especialmente fraqueza no quadríceps e glúteos) e alterações anatômicas, como o desalinhamento da patela ou o formato dos pés e quadris.
O sintoma mais clássico é a dor na parte da frente do joelho ou “atrás” da patela, que tende a piorar em situações que aumentam a compressão patelofemoral. Atividades como subir e descer escadas, agachar, correr em terrenos inclinados ou permanecer sentado por longos períodos com os joelhos dobrados (sinal do cinema) costumam exacerbar a dor. Além disso, muitos pacientes relatam a sensação de “areia” ou estalos (crepitação) ao movimentar o joelho.
O diagnóstico da condromalácia patelar é essencialmente clínico. Durante a consulta, o ortopedista avaliará o alinhamento dos membros inferiores, a força muscular e realizará testes de compressão da patela para reproduzir a dor. Para confirmar o grau de desgaste da cartilagem – que varia do grau I (amolecimento) ao grau IV (exposição do osso subcondral) – a ressonância magnética é o exame de imagem mais preciso, permitindo visualizar detalhadamente as lesões condrais.
O tratamento inicial é quase sempre conservador e focado no alívio da dor aguda. Recomenda-se a aplicação de gelo no local após atividades físicas, repouso relativo de exercícios de alto impacto e o uso de medicamentos analgésicos ou anti-inflamatórios prescritos pelo médico. Em alguns casos, o uso de joelheiras específicas com orifício patelar pode ajudar a centralizar a patela e proporcionar maior conforto durante o dia a dia.
A reabilitação através da fisioterapia é a pedra angular do tratamento a longo prazo. O foco principal é corrigir os desequilíbrios biomecânicos que estão sobrecarregando a patela. Isso envolve um programa intenso de fortalecimento do músculo quadríceps (especialmente a porção medial) e dos glúteos, além de alongamentos da cadeia posterior da coxa. Melhorar a estabilidade do quadril e do core é fundamental para tirar a pressão do joelho.
Para casos em que a dor persiste ou em graus mais avançados de desgaste, opções como a viscossuplementação (infiltração com ácido hialurônico) podem ser indicadas para lubrificar a articulação e melhorar a nutrição da cartilagem. A cirurgia é raramente necessária, sendo reservada para situações onde há má formação óssea grave ou falha completa do tratamento conservador. Com o tratamento adequado e a manutenção muscular, é perfeitamente possível conviver bem com a condromalácia e manter uma vida ativa.