A artrose no quadril, também conhecida como coxartrose, é uma condição degenerativa crônica que afeta uma das maiores articulações do corpo. Ela se caracteriza pelo desgaste progressivo da cartilagem que reveste a cabeça do fêmur e o acetábulo (a parte da bacia onde o fêmur se encaixa). Essa cartilagem atua como um amortecedor, permitindo que os ossos deslizem suavemente uns contra os outros. Quando ela se desgasta, ocorre atrito ósseo, levando a dor, inflamação e limitação dos movimentos.
A articulação do quadril é do tipo “bola e soquete”, fundamental para a sustentação do peso corporal e para uma ampla gama de movimentos, como caminhar, sentar e subir escadas. O desgaste da cartilagem (artrose) pode ser classificado como primário, quando ocorre devido ao envelhecimento natural e ao uso ao longo da vida, sendo mais comum em idosos. Também pode ser secundário, quando é causado por uma condição pré-existente, como fraturas antigas, doenças reumatológicas, impacto femoroacetabular ou problemas congênitos do quadril.
Os sintomas da artrose no quadril geralmente se desenvolvem de forma lenta e progressiva. O principal sintoma é a dor, que costuma ser sentida na região da virilha, podendo irradiar para a parte da frente da coxa e até o joelho. A dor tende a piorar com atividades que exigem esforço da articulação, como caminhadas longas, ficar muito tempo em pé ou levantar-se de uma cadeira baixa. Com o tempo, a dor pode aparecer até mesmo em repouso ou durante a noite, prejudicando o sono.
Além da dor, a rigidez articular é outro sintoma muito comum. O paciente pode notar uma dificuldade crescente para movimentar o quadril, especialmente pela manhã ou após períodos de inatividade. Tarefas simples do cotidiano, como calçar meias e sapatos, cortar as unhas dos pés ou entrar e sair do carro, tornam-se difíceis e dolorosas. A amplitude de movimento do quadril fica reduzida e o paciente pode começar a mancar para aliviar o desconforto ao caminhar.
O diagnóstico da coxartrose é feito com base na história clínica do paciente e em um exame físico detalhado, onde o ortopedista avalia a amplitude de movimento do quadril e identifica os pontos de dor. Para confirmar o diagnóstico e avaliar o grau de desgaste, exames de imagem são essenciais. A radiografia (Raio-X) da bacia é o exame mais utilizado, pois permite visualizar a diminuição do espaço entre os ossos, a presença de osteófitos (bicos de papagaio) e outras alterações ósseas características da artrose.
O tratamento inicial da artrose no quadril é sempre conservador e focado em aliviar a dor, melhorar a função e retardar a progressão da doença. Isso inclui a modificação de atividades para evitar sobrecarga, a perda de peso (fundamental para reduzir a pressão sobre a articulação) e a fisioterapia. A fisioterapia é crucial para fortalecer os músculos ao redor do quadril, o que ajuda a estabilizar a articulação, e para manter a amplitude de movimento através de alongamentos específicos. O uso de medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios também auxilia no controle da dor.
Quando as medidas conservadoras não são mais suficientes para controlar a dor e a limitação funcional se torna severa, comprometendo a qualidade de vida do paciente, o tratamento cirúrgico é indicado. A principal cirurgia para a artrose avançada do quadril é a artroplastia total do quadril, ou seja, a colocação de uma prótese. Este procedimento consiste na substituição da articulação desgastada por componentes artificiais (metal, polietileno ou cerâmica), apresentando excelentes resultados no alívio da dor e na restauração da mobilidade.